O debate futebolístico em tempos de rede social é complexo. Não há meio termo, ponderação ou paciência. Parecemos obrigados a tomar uma posição e ir com ela até o fim de nossos dias.
É cada vez mais difícil fazer recortes. Se o jogador falha em um jogo, lemos por ai que “sempre foi isso” e “é um bagre”. Tudo é resumido em uma ou duas frases definitivas. Não existe mais o ESTAR, apenas o SER.
Raniele protagonizou um lance ridículo contra a Portuguesa e as mensagens na live eram: ele NUNCA foi bom. Resumiram a passagem dele no Corinthians a um erro na final da Copa do Brasil e o erro diante da Lusa. É bizarro.
E isso se alonga a qualquer outro jogador.
É impressionante a dificuldade de avaliar Memphis Depay. Ninguém consegue falar que ele foi mal nesse ou naquele jogo. Ou ele é intocável ou simplesmente “nunca valeu o que recebe”, “só joga pela seleção” e outras frases prontas.
Já fez muita coisa pelo Corinthians, é um baita jogador, mas ESTÁ mal no ano. Tudo bem.
Temos que achar o meio termo. É permitido mudar de opinião.
Não é porque você disse que o Gui Negão é bagre em um jogo, que não pode reconhecer que ele foi bem.
Não é porque o Raniele é grosso com bola, que você precisa ignorar as boas atuações e repetir sem parar que ele é bagre.
O futebol muda rápido. Contra a Lusa, Allan fez um péssimo primeiro tempo. Melhorou demais no segundo. A análise pode mudar.
De um tempo pra outro, de um jogo pra outro, de uma temporada para outra.
Enfim. Nada é definitivo e não tem problema falar do momento, sem cravar uma verdade absoluta e defende-la a todo custo na internet.


