A recente reportagem do portal Meu Timão, assinada por Felipe Sales, Daniel Keppler, Luis Fabiani e Márcio Careca, trouxe novamente à tona um tema que o Corinthians, como instituição, ainda parece tratar com uma preocupante lentidão: a situação do clube fora do Movimento de Clubes Formadores (MCF).
Na entrevista, o executivo Erasmo Damiani, explicou que houve uma tentativa de retomada de diálogo com o Palmeiras (autor da denuncia que resultou na exclusão do clube do movimento). Segundo ele, existiram trocas de comunicação e versões distintas sobre propostas e contrapropostas enviadas, mas o assunto acabou esfriando sem qualquer avanço concreto.
E é justamente aí que mora o problema...
Passados meses desde o início desse problema gigante que nossa base vive, o Corinthians ainda não apresentou publicamente uma posição institucional clara sobre o tema. Não houve nota oficial detalhando quais caminhos estão sendo tomados, qual é a estratégia do clube para reverter a situação ou mesmo qual é o estágio atual das tratativas.
Mais preocupante ainda é o silêncio da presidência. Até o momento, o presidente Stabile não se manifestou publicamente sobre o caso, não houve pronunciamento oficial e tampouco qualquer gesto público que indique uma mobilização mais firme para resolver o impasse.
Enquanto isso, quem sente os efeitos diretos dessa ausência do Corinthians no MCF são justamente as categorias mais jovens da base.
Equipes das gerações menores e as de idade intermediária dependem muito do ambiente de cooperação entre clubes formadores para garantir calendário competitivo, participação em torneios com bom grau de competitividade.
Estar fora desse circuito significa, na prática, limitar experiências importantes no processo de formação dos atletas e perder força no mercado.
Não se trata apenas de uma disputa política entre clubes. Trata-se de formação, de ambiente competitivo e de planejamento esportivo para jovens que estão em etapas decisivas do desenvolvimento.
O Corinthians possui uma das bases mais tradicionais e produtivas do futebol brasileiro. Justamente por isso, situações como essa exigem postura institucional clara, articulação política e liderança.
Até aqui, porém, o que se vê é um silêncio prolongado e uma condução que transmite a sensação de que um problema relevante está sendo tratado sem a urgência que deveria.
E quando o assunto é formação de atletas, tempo perdido também é desenvolvimento perdido e o Corinthians sendo prejudicado no longo prazo!


