Jesse Lingard é do Corinthians!
Nascido em dezembro de 1992, portanto com 33 anos atualmente, o inglês é produto das categorias de base do Manchester United, clube no qual foi alçado ao profissional por Louis van Gaal na temporada 2014/15. Ao longo de oito temporadas em Old Trafford, Lingard disputou 232 partidas, das quais iniciou 149 como titular, acumulando 56 participações em gols: 21 assistências e 35 bolas na rede — incluindo tentos decisivos em duas finais, na FA Cup de 2016 e na EFL Cup de 2017. Foram quatro títulos conquistados, entre eles a UEFA Europa League de 2016/17.
Antes de desembarcar na Coreia do Sul, em 2024, Jesse — cuja passagem pelo Nottingham Forest foi discreta — reencontrou as boas atuações após um longo período de baixa em Manchester, durante empréstimo ao West Ham. Sob o comando de David Moyes, foi peça crucial na campanha que rendeu aos Hammers a 6ª colocação na Premier League 2020/21, marcando gols contra rivais como Chelsea e Tottenham e recebendo o prêmio de Premier League Player of the Month em abril de 2021.
No contexto inglês, Lingard despontou para o mundo do futebol como extremo, preferencialmente aberto pela esquerda, embora seja meia-atacante de origem. O movimento de “empurrar” para os lados atletas com biotipo semelhante ao de Jesse tornou-se comum nos últimos anos por inúmeras razões — mas esse é outro debate.
Fato é que, defendendo a camisa do Seoul FC, Jesse Lingard atuou majoritariamente em duas plataformas táticas básicas: o 4-2-3-1 e o 4-3-3. Em ambos os contextos, foi escalado na maior parte das vezes como “camisa 10”. Há um adendo: no período, trabalhou apenas com um técnico, Kim Gi-dong.
Apesar disso, era comum vê-lo “fugindo” das entrelinhas, zona de maior pressão. No futebol sul-coreano — e sem perder de vista sua superioridade técnica — Lingard buscava influenciar a construção ofensiva desde a primeira fase, descendo para a base da jogada e recebendo de frente para o campo.
Observá-lo pelas extremidades, sobretudo pela esquerda, também era frequente. Nesse cenário, o típico padrão do ponta de pé trocado, que traz a bola para dentro com a intenção de finalizar de média e longa distância, fazia-se presente. O volume de arremates por jogo de Jesse na Coreia do Sul — 1,98 em 2024 e 2,86 em 2025 — chama a atenção, ainda que a ressalva quanto ao nível técnico dos goleiros deva, sim, ser ponderada.
Tanto por dentro quanto por fora, um dos atributos que mais chamam a atenção no jogo de Jesse Lingard são as conduções progressivas, por meio das quais rompe linhas adversárias e permite que a equipe avance no campo. Vale destacar, nesse sentido, sua capacidade de encontrar passes em profundidade, nas costas da linha defensiva rival, como complemento a esse tipo de ação.
O que nos leva a outro ponto: a chegada à área adversária. A título de comparação, Lingard é um “10” diferente, por exemplo, de Rodrigo Garro. Enquanto o argentino é um típico enganche, cujo ponto forte é o último passe, o inglês apresenta perfil mais próximo ao de um meia-atacante, exibindo projeção desde trás como uma de suas principais valências. Em uma equipe que carece de gols, Lingard agrega nesse aspecto, inclusive marcando de cabeça, mesmo com 1,75 m de altura.
Outro ponto passível de menção é a capacidade de gerar jogo a partir de um único toque na bola. Seja valendo-se de dinâmicas de terceiro homem, buscando passes de primeira em profundidade ou escapando de pressões com leves toques (ou até mesmo sem encostar na bola), o inglês consegue acelerar as construções ofensivas da equipe dessa maneira.
Nessa mesma esteira, o primeiro toque também merece destaque. Jesse, que está a todo momento escaneando o espaço, preza por controles orientados — detalhe que pode parecer menor, mas não é, pois lhe permite conquistar espaços vantajosos ao mesmo tempo que economiza tempo.
Por fim, mas não menos importante — inclusive considerando que se trata de um ponto forte do Corinthians de Dorival Júnior —, Jesse Lingard também oferece qualidade nas bolas paradas. A título de informação, das 11 assistências que distribuiu na Coreia do Sul, quatro nasceram em cobranças de escanteio.
É claro que existem ponderações a serem feitas. Desde a discrepância nas quatro dimensões do desempenho (tática, técnica, física e mental) entre o futebol brasileiro e o sul-coreano, passando pela questão de adaptação — contexto no qual vale ressaltar a facilidade que demonstrou, inclusive aprendendo o idioma local, em Seul —, até o aspecto físico: sua última partida foi disputada em 30 de novembro e, por conseguinte, ainda demandará tempo, já que não realizou pré-temporada, para atingir a melhor condição.
Estou curioso para assistir Jesse Lingard no Corinthians. E vocês?


