Torino, não. Corinthians, sim!
A comemoração de João Pedro Tchoca, após todo o imbróglio envolvendo a negociação com a equipe italiana, é repleta de significado, mas o fato é que a atuação do zagueiro do Corinthians frente ao Cruzeiro vai muito além do gol marcado.
Na ação do tento em si, o camisa 4 utiliza muito bem o recurso dos braços, empurrando André Luiz, que se posiciona a fim de bloquear o marcador de Tchoca. Esse pormenor lhe permite construir tempo e espaço em relação ao defensor. É justamente por isso que o camisa 4 consegue, sem maiores problemas, cabecear a boa cobrança de escanteio de Rodrigo Garro.
No entanto, sobretudo tendo em vista que se trata de um zagueiro, o verdadeiro “gol” de João Pedro foi marcado já nos acréscimos da etapa final. Aqui, é importante dividir a análise em dois pontos.
Primeiro: sem dúvidas, o posicionamento de bloqueio é impecável. Desde a coragem para proteger o gol, passando pela leitura para se colocar justamente na trajetória do arremate de Arroyo e chegando até à preocupação com os braços, colocando-os para trás e sinalizando ao árbitro esse cuidado.
Segundo: entretanto, Tchoca deveria tomar outra decisão. Não quanto ao bloqueio, claro, mas sim em relação à cobertura defensiva. Em ações defensivas de mano a mano, a recomendação vai no sentido da desconfiança. Apesar de parecer contraditório, um defensor sempre deve partir do pressuposto de que seu companheiro será superado pelo adversário e, assim, oferecer cobertura — comportamento que João Pedro não adota.
Na metade da etapa final, o camisa 4 do Corinthians já havia bloqueado outra finalização, desta vez de Kaio Jorge, uma verdadeira ação defensiva de 1x1 de almanaque. Desde a origem da transição, Tchoca mantém-se preocupado em manter contato visual com a bola, adotando um perfilamento corporal correto.
No momento em que o centroavante do Cruzeiro é acionado, João Pedro flexiona os joelhos, adotando um centro de gravidade baixo, e o induz para a linha de fundo, obrigando-o a utilizar o pé não dominante, sem tirar os olhos da bola um só segundo.
O timing da “virada de chave” também é fino e ocorre justamente no meio-tempo em que Kaio executa a alavanca do chute, mais precisamente quando o pé esquerdo do atacante se encontra no ar.
Kaio Jorge já havia sido desarmado por Tchoca, que, na segunda ação do primeiro vídeo abaixo, executa devidamente algo que comumente chamamos de “defender atacando”. Com o Corinthians instalado no campo ofensivo, os zagueiros devem, sem a bola, vigiar os jogadores livres adversários. É exatamente isso que João Pedro faz com Kaio, perseguindo-o posteriormente na transição defensiva.
Até mesmo no jogo com os pés, o camisa 4 do Corinthians exibiu bons momentos, seja por meio de conduções, rompendo as linhas do Cruzeiro, seja por meio de uma diagonal longa, encontrando Pedro Milans pelo corredor lateral direito.
João Pedro Tchoca, senhoras e senhores, um zagueiro em plena ascensão.


