Respira! A eliminação do Corinthians no Paulistão não configura terra arrasada — muito pelo contrário. Afinal, como já escrevi neste site, o trabalho de Dorival Júnior e de toda a sua comissão técnica é excepcional.
Entretanto, fazendo um exercício de projeção da temporada atual, mas pensando até mesmo a curto prazo, os dois tópicos que mais me preocupam estão no título desta coluna: falta de profundidade e concentração de gols.
“Profundidade” é um termo demasiado abrangente no futebol moderno. Neste contexto, refiro-me ao aspecto técnico-tático.
E, sem maiores rodeios: Yuri Alberto é o único atleta do atual elenco do Corinthians capaz de gerar a tal profundidade. Durante toda a partida, o camisa 9 ataca o espaço entre as costas da linha defensiva e o goleiro, por meio de movimentos de ruptura — o popular “facão”. Além, claro, das pressões que exerce e dos erros que força sem a bola.
Não é exagero afirmar que, no Brasil, nenhum outro centroavante se desmarca melhor que Yuri, que é um verdadeiro “animal”, como diria Vítor Pereira, nesse sentido.
Sendo assim, e aqui apenas pincelando que a reposição não será a ideal pelo contexto vivido pelo clube, a ausência — neste caso, a de Yuri Alberto — não será suprida à altura. Olhando para o 11 inicial do confronto frente ao Novorizontino, nenhum jogador possuía perfil semelhante ao do camisa 9.
Gui Negão, valência por valência, é mais “parecido” com Yuri do que Memphis, o escolhido por Dorival para ocupar a posição de centroavante, função que também exerce na Holanda.
É importante ressaltar que o ponto aqui não é questionar a tomada de decisão do técnico, e sim apontar que existe um Corinthians com e outro sem Yuri Alberto, cuja presença — ou ausência — é capaz de alterar radicalmente toda a conjuntura da equipe, que se torna ainda mais “bola no pé”, algo natural pelas características de nomes como Depay, Breno Bidon, Rodrigo Garro e até mesmo do próprio Matheus Bidu, o que a torna previsível.
Assim, as situações de profundidade se limitam aos corredores laterais, com Matheuzinho e Bidu, ou às infiltrações de André Luiz e, esporadicamente, a algum desmarque de Garro ou Memphis, já que o Corinthians também deu o azar de perder Kaio César — que será importante ao longo da temporada, não tenho dúvidas. Vitinho, Dieguinho e Kayke, cada um com seus respectivos atributos, até atuam abertos, mas não possuem a mesma velocidade de Kaio.
Soma-se a tudo isso a concentração de gols.
Esse é um tópico que, em outros momentos, esteve mais latente — isso é fato. Afinal, o trio “GYM” já concentrou muito mais os gols do Corinthians. Aliás, com a ascensão de Bidon e as várias lesões — seja de Garro, Yuri ou Memphis — viu-se pouco do trio desde o título do Paulistão de 2025 para cá.
Depay não balança as redes desde o gol da conquista da Copa do Brasil contra o Vasco da Gama. Garro voltou a marcar diante do Athletico-PR após cinco meses. Breno Bidon, que já marcou duas vezes em 2026, ainda precisa afinar essa relação com o gol — algo que André, por exemplo, parece demonstrar com mais naturalidade.
A impressão que fica é que, embora construa oportunidades de gol — como foi em Novo Horizonte —, falta quem as aproveite. Isso também se aplica à conversão/efetividade, mas, nesse contexto, diz mais sobre a ausência de quem não está ou o mau momento de quem se faz presente. Não à toa, parece que a única alternativa viável é a bola parada ofensiva.
É por essas e outras que, coletiva após coletiva, Dorival Júnior bate na tecla da necessidade de reforços — tópico que esbarra no momento do clube e… voltamos ao círculo vicioso.
É o fim do mundo? Não, não é. O Corinthians é um bom time, reforçou-se na medida do possível, não pode se dar ao luxo de perder peças importantes — seja agora ou na metade da temporada —, ainda mais sem a devida compensação financeira e, dentro do possível, como ao que tudo indica será com Jesse Lingard, precisa se reforçar.
A temporada ainda nos reserva coisas boas. Mentalizem coisas positivas!


