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·há 1 semana
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Amar o Corinthians acima de qualquer resultado, partida ou jogador.
O corinthiano entende esse mandamento como poucos. Talvez como ninguém. Nenhuma outra torcida parece compreender, com a mesma profundidade, o que significa permanecer quando tudo convida ao abandono.
Porque, quase sempre, somos feridos. Trocados. Injustiçados. E é justamente das cicatrizes que nascem as nossas próprias diretrizes para seguir em frente. O corinthiano convive com o medo, mas escolhe a esperança mesmo assim. Quase como um vício.
Mas existe uma contradição inevitável nisso tudo. Todo torcedor corinthiano, cedo ou tarde, entende a verdade por trás desse mandamento. Não por birra. Não por carência. Mas porque o nosso coração insiste em ser fiel àqueles que se tornam extensão da arquibancada dentro de campo.
Os que dividem cada disputa como se valesse sobrevivência. Os que mordem, gritam, xingam e jamais se escondem do jogo. Esses deixam de ser apenas jogadores. Tornam-se memória. E memória, no Corinthians, é um tipo raro de eternidade.
Há certa beleza nessa relação entre torcida e jogador. Distantes, mas profundamente conectados. Não nos conhecemos pessoalmente, mas nos reconhecemos nos gestos. A arquibancada canta. Eles correm. Nós sofremos. Eles também. E, por alguns instantes, parece que todos dividem o mesmo coração acelerado.
Claro, existe injustiça nessa relação.
Porque é quase sempre o torcedor quem sai arranhado no final. Somos nós que nos arrependemos de ter sentido demais. Somos nós que precisamos aprender a deixar partir.
Mas talvez seja justamente isso que faça do Corinthians o Corinthians.
No fim do último jogo, Yuri Alberto parecia se despedir do clube. Nunca foi perfeito. Longe disso. Muitas vezes errou mais do que acertou. Mas continuou tentando. E talvez não exista nada mais corinthiano do que isso.
Yuri virou aquele amigo que a gente protege, critica, cobra e defende ao mesmo tempo. Por mais que tentem diminuir sua passagem, ele deixa o nome marcado na história recente do clube. E, para muitos, deixa também a porta aberta no afeto.
Mas esse texto nunca foi sobre ele.
É sobre nós.
Sobre quem ainda se permite sentir tudo o que o futebol oferece: a raiva, o orgulho, o desespero, a esperança irresponsável que reaparece toda semana. Sobre quem se recusa a assistir ao Corinthians de maneira fria, distante, calculada.
Porque talvez não exista nada mais corinthiano do que isso: sentir, honestamente e sem medo.
Muitos passaram. Outros ainda virão.
E nós continuaremos aqui.
Sobretudo, com coragem para sentir.
Vai Corinthians.
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