Pré-jogo

Se o Diniz não resolver isso, não seremos campeões de novo esse ano

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·há 2 semanas
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Trabalho no mercado financeiro, gosto de números, e resolvi fazer um estudo só pra tirar uma pulga atrás da orelha... e o resultado me surpreendeu. A pulga era simples. Eu queria ver o número do ataque do Corinthians, pq me parecia que o problema era mais do que fase do Yuri Alberto. Então peguei a temporada inteira de 2026, separei o que foi feito com o Dorival do que está sendo feito com o Diniz, e fui atrás de tudo: gol, finalização, chance criada, conversão, e principalmente de onde vinha cada gol que a gente fez. E o que eu encontrei me fez entender algumas coisas, e me surpreender com outras. Começa por um retrato meio constrangedor. Eu separei todos os nossos gols do ano por setor de quem marcou, atacante, meia ou defensor, e a conta deu isso: Os atacantes fizeram só 34% dos gols, o meio fez 37% e a defesa fez 29%. Quase um terço dos nossos gols saiu do pé ou da cabeça de zagueiro e lateral. Pra ter uma noção do que isso significa, fui olhar isso em alguns clubes diferentes. No Palmeiras o ataque faz 59% dos gols. No Flamengo, 57%. São Paulo, Cruzeiro e Santos, todos na faixa dos 52 a 55%. Ou seja, nós somos (provável) o único grande abaixo de 40%, e ainda com a defesa pesando quase 30% na conta, na base de bola parada. Na era Dorival isso era escancarado. O time tinha a bola, segunda maior posse da liga, e não fazia nada com ela. Era 0,9 gol por jogo, pouco mais de três finalizações certas por partida, e uma média ridícula de chance clara criada. O time rodava a bola em volta da área e não furava ninguém. Aí entra o Diniz, e é aqui que eu fiquei surpreso. Primeiro, o óbvio: o volume de jogo aumentou. As finalizações subiram, as chances criadas em casa praticamente dobraram, os gols por jogo passaram de 0,9 pra 1,4. O time joga mais, chega mais, cria mais. Mas o ataque piorou. A conversão de chance clara do time no campeonato é de 26%, um dos piores da Série A. O Diniz consertou a criação, mas o time passou a chutar e não fazer. O volume cresceu e o aproveitamento caiu junto. Os gols de atacante caíram de 38% no Dorival pra 29% com o Diniz, enquanto o meio-campo subiu pra 41% e virou o setor que mais marca. E agora a parte que mais me pegou, porque vai contra tudo que se fala desse cara. O Diniz tem fama de treinador ofensivo e a fama de que time de Diniz toma muitos gols. Pois a defesa, no Corinthians, é o maior trunfo dele. Os gols sofridos caíram de 0,8 pra 0,4 por jogo. Basicamente uma redução de 50%. O problema é que a defesa não vai conseguir segurar toda vez que o ataque falha. E não dá pra falar de ataque sem encarar o Yuri. Os números dele são duros. Eu peguei os principais centroavantes dos grandes e botei lado a lado, olhando eficiência, quantos chutes o cara precisa pra fazer um gol e quanto das chances claras ele converte. O Carlos Vinícius, no Grêmio, precisa de 2,8 chutes por gol e converte 73% das chances. O Pedro, no Flamengo, 3,5 chutes e 56%. O Flaco López, no Palmeiras, 4,2 e em torno de 50%. O Kaio Jorge e o Calleri, acima de 50%. O Gabigol, muito ruim, 35%. E o Yuri? Precisa de 8 chutes pra fazer um gol e converte 28% das chances claras, a pior taxa do grupo inteiro. Num ranking de centroavante de todos os 20 times da Série A, ele aparece lá embaixo, perto da 18ª posição, O atacante mais semelhente à ele é o Brenner, do Vasco... só que ele tem um salário muito maior. Talvez o problema seja o sacrifício tático do Yuri. Não sei, não pesquisei a fundo a função dele agora. Mas, esse sacríficio não me parece estar justificando a falta de um 9 que marca gols. Se o Diniz não resolver a eficiência desse time, dificilmente a gente ganha alguma coisa esse ano, por melhor que esteja a defesa. Mas não é só resolver o ataque, é realmente resolver o gol. O Kaio César, por exemplo, merece ser titular, porque cria jogo, dá profundidade, faz o time funcionar. Só que ele é um criador, não é um definidor. Quando o Corinthians vira a cabeça pros seus definidores, o que sobra assusta: o Yuri, em fase ruim, o Pedro Raul, em fase pior ainda, e o Memphis, que passou o ano inteiro sem ser testado de verdade na função de 9. Então sobra uma pergunta prática: o que fazer? Eu enxergo quatro caminhos. O primeiro é não vender o Yuri e apostar todas as fichas na recuperação dele. Vale a pena recuperar um jogador bom em fase péssima que já deixou claro que não quer ficar? O segundo é bancar o Memphis como 9 fixo e remontar o time em volta disso, sabendo que ele só vai poder ser usado de verdade pós-Copa do Mundo. O terceiro é trazer o Gui Negão de volta, que vem sendo preterido e pode dar uma resposta que hoje não existe. Cadê ele? E o quarto: contratar um centroavante de verdade na próxima janela. O que não dá é pra ficar parado. 6 meses já se passaram o problema piorou ao invés de melhorar. Precisamos de um 9.
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