[Duarte Analisa] COR 2 x 0 BRA - Primeira vitória em casa; péssimas arbitragens quase impossibilitam boas análises
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[Duarte Analisa] COR 2 x 0 BRA - Primeira vitória em casa; péssimas arbitragens quase impossibilitam boas análises

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·há 1 mês
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Minhas análises de PÓS-JOGO serão estruturadas da seguinte forma: Breve resumo; Análises gerais; Análises individuais (jogadores, técnico e juiz); Considerações finais. BREVE RESUMO Veio a primeira vitória em casa nesse Brasileirão, e contra um adversário que tem sido uma pedra no sapato do Corinthians. Três pontos importantíssimos no campeonato de pontos corridos para um elenco que deve, mais uma vez, priorizar as copas no ano. Um bom jogo do Corinthians contra um adversário competitivo, fato que elucida cada vez mais a capacidade do Gigante da Zona Leste. Não consigo pensar em dois jogadores que precisavam mais dessa vitória do que Rodrigo Garro e Hugo Souza; o Corinthians está na melhor versão quando os dois estão motivados e confiantes. Mais um ótimo jogo do setor defensivo e Dorival Júnior PRECISA SER ENALTECIDO - que trabalho faz o técnico do Corinthians, que arrumou, na boa estréia do Allan, um "bom problema" que precisa ser resolvido. Explico: ANÁLISES GERAIS A disposição tática do Corinthians Uma aula do Dorival. O destaque tático, para mim, reside nas instruções e funções que foram atribuídas aos meio-campistas do Corinthians nesse jogo; a escalação de Matheus Pereira e André Carrillo como volantes cadenciadores foi essencial para potencializar o jogo de Rodrigo Garro - que passou a atuar como o gatilho do Corinthians, ligando efetivamente o meio-campo ao ataque - e as ultrapassagens de Yuri Alberto que, apesar de pouco letal, foi importante, como sempre é, atacando os espaços - principalmente as costas do Juninho Capixaba, que fez um jogo horroroso, uma verdadeira disasterclass - e embaraçando a defesa do Bragantino. O setor defensivo do Corinthians ainda não é primoroso, mas passa bastante segurança. A adição do Gabriel Paulista no time titular é um lufo de ar fresco que acalma todos os corações que antes estavam aflitos por precisarem assistir uma defesa tão lenta com Ramalho, fadada a dar errado com Cacá e pouco segura com Tchoca (nem citarei aquele que não deve ser nominado e joga no Internacional para a Graça e Glória do Nosso Senhor Jesus Cristo). Paulista é um zagueiro rápido, com uma qualidade surpreendente na famigerada fatiada e, sobretudo, seguro por baixo e por cima, e tem sido coroado com gols pelas grandes atuações. A bola parada A bola parada do Corinthians, antes um problema ENORME sob Antônio Oliveira e Ramón Diaz, se torna uma força ofensiva e uma tranquilidade defensiva sob o comando do Dorival - e aqui eu deixo a pergunta pra você que não gosta dele: qual é o desígnio tático, de responsabilidade dele, que compromete, HOJE, o jogo do Corinthians? Gustavo Henrique e Gabriel Paulista são fenômenos no jogo aéreo, mas, se todos os gols fossem resultados diretos somente do talento dos dois, os outros times rapidamente identificariam um padrão e estipulariram uma contra-medida. Por que isso não acontece? Porque a instrução tática, as movimentações dentro da área, os distratores, todo o ensaio dos outros jogadores se mostram medidas disruptivas extremamente efetivas, possibilitando que a mesma jogada de cruzamento no segundo pau, cabeceio pro miolo e finalização seja feita e repetida várias vezes. E, claro, toda jogada de bola parada se torna 10x mais letal por conta dele: ANÁLISES ESPECÍFICAS Rodrigo Garro Um ótimo jogo do Garro. Falei um pouco sobre ele ser a flecha de um meio campo cadenciado por Matheus Pereira e André Carrillo - ambos compondo o arco - no meu post de análise do primeiro tempo, que você pode ler depois de terminar esse pós-jogo: https://www.salvedrew.com.br/forum/34c86c08-1727-45ea-b9c1-d0cc17d4f9d9; O segundo tempo dele foi menos intenso, o que é de se esperar pela situação física; apesar de menos intenso, não foi um segundo tempo ruim. Ele trocou a função de todocampista pifador pela de pivô ofensivo, permitindo, organizando e recompensando as infiltrações do ataque Corinthiano. Em meu primeiro post aqui, o post de pós-jogo de Corinthians x palmeiras, apesar de ter me equivocado sobre a capacidade do Garro de realizar boas atuações mesmo com a precarização de sua condição física, apontei que ele precisa ser o cara das bolas paradas, e que o Corinthians sente muita falta da qualidade que ele tem nesses momentos tanto quanto sente falta das outras valências daquele Garro de 24'. Hoje, a ótima atuação foi recompensada com uma também ótima assistência, do ótimo jogador que eu, particularmente, amo ver jogar. Espero que esse jogo seja o indício de uma recuperação completa. Yuri Alberto Eu queria muito entender o que se passa na cabeça do Yuri. Eu vejo que ele tem o problema oposto ao do Garro: enquanto o meio-campista parece não ter o físico para acompanhar a inteligência, Yuri parece não ter uma inteligência que acompanhe o físico. Olhando para as valências físicas, fez um jogo impecável: correu o campo todo, infiltrou, atacou espaço, fez o bom Juninho Capixaba parecer um lateral qualquer. Entretanto, olhando para as valências técnicas com a bola no pé - e aqui eu especifico com a bola no pé porque muitas vezes se entende a valência técnica como oposta da física, criando uma dicotomia que impossibilita rotular um jogador físico como, também, técnico, algo que acontece com o André, por exemplo -, é impossível entender Yuri Alberto. Tem um bom chute cruzado, mas prefere correr e adianta demais a bola. É destro, mas puxa todas as bolas pra bater com a esquerda. Parece que ele não consegue entender que pode correr E chutar, pode dominar com a direita E bater com ela mesmo; Yuri precisa entender que pode ser físico E técnico ao mesmo tempo. Hugo Souza Hugo é monstruoso em pênaltis. Alguém na live do Drew apontou que "quando o pênalti é contra nós eu me sinto seguro", e eu concordo plenamente, que goleiraço que encontramos. Ainda parece um pouco baqueado pela proposta do Milan, eu imagino. Faz um começo de ano ruim, mas essa partida com certeza reacendeu algo no coração dele, e quando ele tá pra jogo, é o melhor goleiro do Brasil. Em pênaltis, é o melhor goleiro brasileiro. Mas o momento pede calma: ainda é muito ruim com os pés. Muito, mas muito ruim mesmo. A saída de bola do Corinthians é severamente prejudicada quando o time se encontra sob pressão, e muito dessa dificuldade passa, de fato, pelos pés do Hugo. Eu te amo, vamos por mais. Matheus Bidu Fez um jogo ruim no geral, mas reviveu aos 15' do 2ºT, mesmo cansado, o que mostra o porquê ele pode vir a ser um lateral selecionável. Olhando apenas para o jogador dentro de campo e ignorando a idade, o apelido e a trajetória, é impossível não enxergar um lateral extra-classe, ao menos no âmbito técnico. Não é um primor defensivo, mas não costuma comprometer; ofensivamente, é, sim, primoroso, e essa é uma valência de jogadores extra-classe, mesmo quando não fazem a melhor partida, contribuem positivamente pro jogo. Allan O primeiro toque dele na bola foi um domínio orientado em giro; o segundo, uma pifada que deixou o Yuri, se não me engano, na cara do gol. No lance seguinte, fez o cruzamento mais escroto que eu já vi na vida, e me fez pensar que ele seria esse jogador on&off, alérgico à acertar duas jogadas em sequência. Mas aproveitou muito bem as outras posses de bola, entrou querendo jogo, chamou o jogo pra si e chegou até a discutir com Gabriel Paulista por não ter recebido-a de volta em uma saída de bola. Tem cheiro de contratação importante e assertiva, vamos ver se esse potencial se concretiza. Dorival tem uma boa dor de cabeça com esse meio-campo. Na minha opinião, se o Allan manter o nível, deve assumir a vaga do Carrillo. Memphis Depay Se esse post fosse um vídeo, esse seria o momento que eu tomaria um gole de água, respiraria fundo e diria "o que falar de Memphis Depay, hein?". Um primeiro tempo pavoroso, a impressão que eu tenho é que, mesmo se o time estiver numa rotação baixa, ele vai estar em uma ainda mais baixa. É uma falta de urgência, oportunismo, posicionamento ofensivo; uma busca incessante e irritante por um jogo associativo que não funcionaria nessa partida, como se ele quisesse forçar o time a jogar do jeito dele. Porém, o segundo tempo dele foi bom, bem bom. O time se aproximou mais dele e, se não fosse o cansaço, sinto que ele teria feito mais. O Memphis irrita por não querer ser o protagonista, porque entende que existe uma aura em volta dele que faz com que ele seja o protagonista, que o força a decidir nos momentos importantes. O problema é que um jogo da 2ª rodada do Brasileirão não é um momento importante, então, nesse caso, ele é sempre um bom Robin e nunca um Batman. Gosto como ele pensa diferente do óbvio - uma valência observada também no jogo do Garro, mas o Garro é bem mais ansioso. Pincelando: Charles e Vitinho Charles acumula mais uma atuação ok. Melhorou com os pés, é esforçado e tem um bom físico. Vitinho não dá mais. O Corinthians, recentemente, tem algo espiritual com os pontas que contrata: chegam, jogam bem por 2/3 meses e depois viram uma carniça. Vitinho precisa ser preterido por Kaio César, Dieguinho e até mesmo o Kayke. Pra fechar, a arbitragem A grande pauta na CBF atualmente é a profissionalização dos árbitros brasileiros, medida que ganhou tração graças ao acúmulo de péssimas atuações dos arbítros. Eu quero que você imagine comigo uma situação: existe uma festa rolando, a música do momento tá tocando, as pessoas tão dançando, bebendo e se divertindo. Porém, pra que todo mundo esteja seguro e possa curtir à vontade, o corpo de bombeiros está presente no local e pode, de forma arbitrária, mandar alguém parar de fazer X coisa e expulsar essa pessoa da festa caso ela não acate a ordem. Nesse cenário, você tem um grupo seleto de profissionais capacitados que são responsáveis pelo bom andamento da festa, certo? A responsabilidade do corpo de bombeiros é garantir que todo mundo esteja seguro e curta a festa da melhor forma possível. Quantas vezes você já viu uma manchete dizer "Corpo de bombeiros acaba com uma importante festa por não estarem aptos à realização de seus trabalhos"? Eu parto de um princípio que o futebol é um espetáculo. Toda partida é feita para divertir à quem assiste, e a melhor arbitragem é aquela que passa despercebida. O melhor sentimento que há, para o espectador de uma partida de futebol, é sair de um jogo sem nem saber o nome do árbitro. Então, como pôde a CBF permitir, por tanto tempo, que incompetentes como o árbitro de hoje possuíssem o poder para destruir um jogo sem antes possuírem a competência profissional? É como dar a excalibur pra um cara que brinca de espadinha com a vassoura de casa. Toda semana tem alguma discussão sobre arbitragem no Brasil há pelo menos três anos. Se vai haver profissionalização, que haja também precedente para demissão por justa-causa. Obrigado por lerem, três pontos importantíssimos, Dorival é pica, Garro é sensual. Vai Corinthians! Até o próximo jogo :)
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