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Vai Corinthians! Aqui estamos outra vez para mais uma edição do nosso 'Fonte: Futebol', hoje falando do confronto válido pela 5a rodada do Brasileirão 2026, quando o alvinegro paulista receberá o Coritiba na Neo Química Arena nesta quarta-feira, 11.
Nossa série de fatos interessantes em volta das partidas do timão hoje não será tão 'viajada' assim, e sim com intuito de responder uma dúvida que algum de vocês possam ter quando escutam o termo frequentemente relacionado ao nosso adversário, o famoso Coxa-Branca.
Esse termo que virou sinônimo do Coritiba Foot Ball Club, entra na galeria de boas histórias do futebol brasileiro onde a torcida decidiu adotar uma ofensa ou algo pejorativo para si com orgulho, e tudo começou a bastante tempo atrás com um sujeito: Hans Egon Breyer.
Breyer, alemão que veio com a família para o Brasil quando ainda era uma criança próximo a década de 1920 viria a se tornar jogador do Coritiba, onde atuou entre os anos 1939 e 1943, período que coincide inclusive com a segunda guerra mundial. Mas foi em um clássico Atletiba em 1941 que a história foi feita:
Um torcedor atleticano Jofre Cabral e Silva começou a provocar Breyer, chamando-o de: “Coxa‑Branca!” e “Quinta-coluna!”
O primeiro termo fazia referência ao tom de pele claro do jogador — comum entre descendentes de alemães — e também tinha um tom político, já que o Brasil vivia forte clima de tensão ligado à Segunda Guerra Mundial.
Já o segundo termo era utilizado para referir-se de maneira ofensiva, à pessoas que tinham descendência ou nacionalidade de outros países envolvidos em confrontos militares na época. De uma maneira ou outra, o insulto carregava um tom de insinuação a 'trairagem, espionagem', como se estivesse apontando que a comunidade local não pudesse confiar neles.
O termo “quinta‑coluna” nasceu durante a Guerra Civil Espanhola (1936–1939).
Na época, as forças nacionalistas de Francisco Franco avançavam sobre Madri com quatro colunas militares. A expressão surgiu quando generais franquistas afirmaram que, além dessas quatro colunas, havia uma “quinta coluna” dentro da cidade — simpatizantes infiltrados que agiriam secretamente a favor do golpe quando o ataque começasse.
Chamado de “coxabranca” e “quinta-coluna” regularmente, Breyer se desgostou profundamente e decidiu abandonar o futebol em 1944, aos 24 anos, mesmo sendo apontado como um dos principais defensores no estado do Paraná nesta época, encerrando a carreira muito cedo. Durante muitos anos, ele deixou até de frequentar os jogos do Coritiba — tamanho o incômodo que a situação havia lhe causado
A história muda completamente em 1969. Na comemoração do título estadual daquele ano, a torcida do Coritiba começou a cantar:
“Coxa! Coxa! Coxa!”
Foi aí que pela primeira vez, o apelido era usado com orgulho, como símbolo da identidade da equipe alviverde e não mais como ofensa. Isso marcou profundamente Breyer, que declarou em entrevista à revista Placar:
“Quando vi a torcida gritar Coxa, tirei um peso das minhas costas e fiquei muito orgulhoso.”
Essa mudança de significado foi tão marcante que o apelido Coxa-Branca acabou gravado até mesmo na lápide de Breyer, como homenagem da torcida.
Falecido em 2001, Breyer voltara a frequentar os jogos da equipe após a adoção do apelido pela torcida, e já foi diversas vezes homenageado em ações do clube até hoje como um dos personagens mais marcantes do clube paranaense. Recentemente, por exemplo, Breyer e o período de 1941 foram referências usadas na confecção do uniforme de 2024 do time, e nas celebração dos 115 anos do clube, no mesmo ano.
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