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·há 1 mês
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A saída de Piccinato, dada as
circunstâncias, representaria um risco considerável para a equipe feminina do Corinthians. O clube atravessa um momento muito difícil na modalidade, mas muitos fecham os olhos para o problema devido aos resultados que a equipe entrega, apesar das adversidades. É impossível analisar a gestão de Lucas Piccinato apenas pelos resultados ruins nas competições secundarias da temporada e ignorar o ambiente de reconstrução em que ele foi inserido.
O elenco passou por um desmonte pós 2023 e 2024 e não houve substituição à altura. O elenco que o Arthur Elias tinha em mãos contava com Kati, Tarciane, Mariza, Andressa, Yasmim, Luana Bertolucci, Diany, Ju Ferreira, Jheniffer, Gabi Portilho, fora outras peças de composição que também saíram, e quem chegou para substituir? Hoje o elenco não conta com uma lateral direita reserva, na zaga apenas a Thais é confiável, o que já é melhor que a situação da lateral esquerda onde ninguém consegue desempenhar. Jogadoras que eram pilares, como Vic Albuquerque, Lelê e Tamires despencaram de rendimento e dependemos dos momentos de magia da Gabi Zanotti. É uma injustiça cobrar que o Lucas entregue com esse elenco o que o Arthur entregava com, praticamente, a base da seleção brasileira.
Além de todos os problemas dentro de campo ainda vivemos um momento de muita turbulencia nos bastidores. O Corinthians Feminino, antes um exemplo de gestão, passou a conviver com atrasos de pagamentos e promessas não cumpridas. Piccinato teve que atuar como gestor de crises para manter o grupo unido, mesmo quando a estrutura financeira do clube falhava com elas.
Com o elenco masculino sempre é questionado sobre o quanto os problemas políticos do clube interferem no dia a dia do trabalho e isso é solenemente ignorado no departamento de futebol feminino. O trabalho não ocorre em uma ilha, a instabilidade política reflete diretamente no dia a dia das Brabas. No Brasil inteiro temos exemplos de projetos encerrados ou com uma retirada de investimento, o que deixa qualquer mudança na diretoria incertezas sobre o futuro do projeto.
Fora todos os problemas internos o cenário mudou. O tempo em que o Corinthians sobrava tecnicamente contra qualquer adversário no Brasil acabou! E não por culpa do Corinthians, mas pelo mérito dos rivais. Clubes como Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro elevaram o patamar de investimento e profissionalismo. Hoje, cada jogo contra as grandes equipes são um desafio enorme, Piccinato está enfrentando adversários muito mais preparados e equipados do que seu antecessor enfrentou em anos passados.
Apesar de todos os itens acima, que seriam suficientes para derrubar qualquer trabalho mediano, Lucas Piccinato entregou o que mais importa: taças. Mesmo com as adversidades ele manteve a mentalidade vencedora. Venceu dois títulos do brasileirão e dois títulos da libertadores em dois anos seguidos, feito esse que nem o super Corinthians de Arthur Elias conseguiu realizar.
Existem sim críticas válidas a se fazer, mas exigir a demissão e o massacre público que a torcida vem fazendo é um erro gigante de avaliação
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